segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Case-se com um homem...
Case-se com um homem que deite no seu colo, de um jeito meio largado, meio descompensado, meio de quem vem correndo como um blitz balançando os braços de uma maneira que sabe que vai te fazer rir. Não escolha alguém que faz tudo por você, que vive por você, que atenda todos os seus caprichos. Sabe por quê ? Por que um cara desses deixaria de ser dele pra ser seu, se esqueceria da vida dele pra viver a sua e, cá entre nós, você quer somar, não é? Ou quer alguém que viva por você, não com você? Por isso mesmo que você deve se casar com alguém que traga um novo mundo para juntar ao seu e que te mostre como os seus planetas ainda podem ser desalinhados de uma forma bonita.
Case com um homem que te desperte. Da cama, do medo, dos pesadelos. Que te beije na testa com ternura, faça cafuné e te de um longo beijo de boa noite, mesmo sabendo que você está chateada com ele. Um homem desses que te despenteiam, desses que deixam uma bagunça gostosa no meio do campo. Queira um homem, um cara, um rapaz, seja lá o seu termo preferido, que tenha um olhar que não te atravesse. Alguém que vai olhar pra você e ver quem você é, sem construções idealizadas ou suposições construídas na fantasia, e ainda assim, te achará perfeita. Sem olhares que atravessam e se desviam, que não encontram os seus olhos e caminham pelo seu corpo. Escolha os olhos daquele que sustenta o mundo quando te olha. Ele tem que ser forte, e talvez a força dele seja essa de te ajudar a dividir o peso do mundo nas costas, de ligar na hora de dormir pra dizer que te ama e sente saudades.
Queira um cara que vá se emocionar quando vê-la cedendo e entrando na igreja. E que se emocione com você de pijama acordando despenteada. Que te ache linda independente do seu manequim e se orgulha de você pelas conquistas do dia a dia, até aquelas bem pequenininhas como conseguir passar um final de semana sem fumar. Case-se com um homem que vá rir de você quando você fizer um escândalo por ter batido a perna na mesinha ou por estar apenas fazendo drama. Ele tem que ser do tipo de cara que sabe que você não precisa dele, e por isso mesmo fica. Fica e vai ficando, vai te deixando se alojar na cama dele, vai deixando você esquecer a escova de dentes, e quando você for ver, você vai aprendendo uma receita de microondas no GOOGLE para tentar o impressionar. Valorize um homem pelo esforço dele, não pelo resultado final. Você vai ver que um homem que se esforça pra te ver feliz vale mais a pena que qualquer Encantado que a Disney tentou te vender como homem perfeito. Desconfie de um cara sem defeitos. E aprenda: tipos perfeitos como os livros infantis não existem. O que existe são homens que, ao seu modo, conquistam você e fazem você perder a balança pro lado das qualidades, quando você aprende a lidar com os defeitos.
Deseje um guri que seja louco. Não por você, mas pela vida. Que vai abrir os braços pra chamar a atenção de meia duzia de desconhecidos enquanto aproveita a tempestade em beira de praia. Gente louca pela vida gosta de explorar o mundo, a cidade, a rua de cima, o novo restaurante e tudo mais. Gente que é louca pela vida entende bem a liberdade, companheirismo, amizade e todos esses sentimentos que só quem gosta de viver entende. Além disso, te garanto que gente assim tem um ótimo papo. Daqueles que não contam vantagem e ainda desenham na tua cabeça as cenas todas que alguém com muita paixão já viveu. Daqueles que fazem você se apaixonar sempre que falam da forma com que o mundo deles mudou desde que você chegou.
Case-se com um cara que queira que você fique, que você volte, que diz que vai arrumar um espaço pra você e manda você se fuder com todas as letras caso fique de dramatização. Case-se com quem faz você se sentir em casa, mesmo estando na rua, estando na praia, estando no shopping ou em qualquer lugar, te mostrando que casa não é apenas onde se mora, mas onde se sente bem.
Por fim, mas não menos importante, case-se com um homem que te ame em detalhes. Nas flores compradas do dia do aniversário da sua amiga, na careta da selfie, no vestido cafona que a sua mãe lhe deu de presente, na vez em que ele percebeu que você tinha pintado o cabelo antes de você falar, nos pedidos de comida chinesa as nove da noite, nos miojos feitos as 6 da madrugada quando ele percebe que você está morrendo de fome e nunca se importou com a dieta mesmo, no remédio pra dor de cabeça que ele sempre carrega porque sabe que você sempre tem enxaqueca. Case-se com quem te faz sentir que esse texto é pouco pra falar dele e te faça vontade de continuar escrevê-lo, mesmo que você não seja lá muito boa com palavras, mesmo que você só saiba definir o que sente por ele como amor.
Obrigada, Felippe Silveira Dias, por me fazer notar que esse texto, fala absolutamente de você.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá. Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda. Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar. Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que existe tanta mulher solteira, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei na faculdade de direito. Quando resolvi fazer um breve curso de trabalhos manuais meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua francesa eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 audiências marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.”
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
PRECISA-SE, EM NEGRITO, POR FAVOR.
Sendo este um blog por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher me ajude a ficar contente porque eu estão tão contente que não posso ficar sozinha com a alegria, e preciso reparti-la. Pago extraordinariamente bem: minuto por minuto pago com a minha própria alegria. É urgente pois a minha alegria é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só as vi depois que tombaram; preciso urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere, que mata. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que dou é tão grande que se tem que repartir antes que se transforme em drama, e olha que o meu drama é cruel. Imploro também que venha, imploro com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca ofereço também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos, uma casa que não tem paredes, que não tem chão, que sempre se sentirá bem vindo e confortável, o teto é iluminado por estrelas, e o chão é de grama fresca. Dou o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar, que são enfeitadas com a luz do dia, e animada com o canto dos pássaros.
P.S. Não se precisa de prática. E peço desculpa por estar num anúncio a dilarecerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
P.S. Não se precisa de prática. E peço desculpa por estar num anúncio a dilarecerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Carta de ausência temporária.
Boa tarde, caro leitores.
Então, sabe aquele ser que não dorme, não come e não tem vida social ? SIM, é o estudante/estagiário de direito! Então, ando meio ausente aqui, mas sempre que dá, ou sempre que pinta aquela deprê inspiradora venho aqui e escrevo. Porém, o blog passará por algumas mudanças, como sempre rs.
Caso queiram, me sigam em outras redes sociais, ou no facebook do blog (https://www.facebook.com/pages/Meus-dias-minhas-palavras/193089674107300?ref=hl) que também passará por aquele UP :D
Espero que não fiquem muito ansiosos (e não me xinguem muito nos emails porque não tenho escrito muito, como andaram fazendo. HUNF)
Segue as minhas redes sociais pessoais.
Facebook: Jess. Mendonça (https://www.facebook.com/jess.mendonca1)
Instagram : @jess_mendonca
Beeijos, Jess. <3 p="">3>
Então, sabe aquele ser que não dorme, não come e não tem vida social ? SIM, é o estudante/estagiário de direito! Então, ando meio ausente aqui, mas sempre que dá, ou sempre que pinta aquela deprê inspiradora venho aqui e escrevo. Porém, o blog passará por algumas mudanças, como sempre rs.
Caso queiram, me sigam em outras redes sociais, ou no facebook do blog (https://www.facebook.com/pages/Meus-dias-minhas-palavras/193089674107300?ref=hl) que também passará por aquele UP :D
Espero que não fiquem muito ansiosos (e não me xinguem muito nos emails porque não tenho escrito muito, como andaram fazendo. HUNF)
Segue as minhas redes sociais pessoais.
Facebook: Jess. Mendonça (https://www.facebook.com/jess.mendonca1)
Instagram : @jess_mendonca
Beeijos, Jess. <3 p="">3>
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Sem título. Esse é o título sim !
"Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no
Olha, eu sei que o meu barco tá furado e sei que ele também sabe, mas queria dizer que as vezes é bom não parar de remar, porque ver ele remando me dá vontade de não querer parar de remar também. Dá uma vontade de gritar : " Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada..."Até porque eu acredito que fiz tudo do jeito melhor, meio torto, talvez, mas tenho tentado da maneira mais bonita que sei.E entre tudo que ele poderia ser pra mim, ele escolheu ser saudade, então, que seja saudade.Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, nenhuma carga me fará baixar a cabeça. Quero ser diferente, eu sou, e se não for, me farei.E tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo (...) que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.Mas depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro. Eu não sou assim, ainda lembro de mim como a menina de riso frouxo e alma leve. Sou a menina que caí de salto alto e ri, e a que gosta do seu all star surrado e acha que é a coisa mais linda usar um tênis e um vestido, que a beleza está nos contrastes. Mas que contraste; não vejo meu sorriso nem mais em fotos (com exceção da última que tirei, que estava tão feliz, mas tão feliz, mas tãããão feliz, que foi a foto mais bonita que eu nem posei).
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Desabafo, apenas... Desabafo.
Não sei se ainda consigo fingir que isso não está me machucando. Ei, eu não sou tão fabulosa assim. Sofro meio calada no meu canto, não quero incomodar com o barulho do meu discreto soluço. Mas a verdade é que ando me sentindo sem valor. Parece que o mundo inteiro é mais legal, inteligente, sarado e bonito. E eu aqui, decadente, com o esmalte roxo descascado, um mpb invadindo o meu quarto, o yorgute de ontem quente em cima da cômoda que nem foi mexido e um vinho que estava em promoção num copo colorido. Eu e uma solidão assustadora. Eu e pensamentos estranhíssimos. Mas sou estranhíssima, vivo em um mundo estranhíssimo e gente assim tem vida estranhíssima, logo, pensamentos estranhíssimos. Então está tudo bem. Será que está mesmo? Será que estamos bem? Será que sobreviveremos? Será que sobreviverei? Não sei e nunca saberemos. Mas tento viver e renascer todos os dias. Pelo menos tenho consciência que não estou apenas sobrevivendo. O sobreviver aos dias é que deve ser amargo e quase deprimente. Sobreviver dói demais, pois o peso da vida é todo colocado em cima dos ombros. Viver e renascer, essa é a grande mágica, essa é a grande lógica, essa é a grande questão, e essa nem é minha vontade.
Sou forte demais para me entregar e fraca demais para suportar alguns fardos sem derramar um punhado de lágrimas.
Já cheguei a cogitar inúmeras hipóteses estúpidas, mas nunca chego a uma conclusão definitiva. Sei que nesta vida temos nossos carmas, cruzes, resgates e aprendizados. Tento fazer o que posso e aproveitar cada lição que me é ofertada, mas não sou perfeita e nem sempre tenho a fé necessária para acreditar. E eu sei (eu sei!) que preciso acreditar. Só que às vezes dói tanto, às vezes a aflição é tão grande e me domina de uma tal forma que não sei se vou suportar, e não suporto. E choro, e grito, e sinto dor em gritar (porque esse maldito furo na minha garganta dói pra caralho), e tô sozinha, tão sozinha, mas tão sozinha que nem meu gato está do meu lado.
Sinto saudade, estranheza, necessidade de me ter de volta. Sinto dor por estar presa nessa teia maligna. Sinto desespero por estar em um labirinto escuro, sem ninguém para me pegar no colo e dizer fica calma, isso vai passar. Isso não passa. Isso vai e volta. Isso muda de cara, de nome, de força. Isso cresce e se transforma. Mas isso nunca me deixa. Então eu reúno meus pedacinhos, que já estão cansados dessa luta diária e sem fim, e continuo a caminhada. Porque sei que isso vai passar, afinal, me ensinaram que tudo na vida passa.
(Espero que seja logo.)
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Sabe quem é? É ela !
Ela? Tem 7 letras no primeiro nome, gosta de Cazuza, de Legião, lê Caio Fernando Abreu, sagitaniana, mal educada, fala palavrão, é mandona, é birrenta, marrenta, fria, insensível, imprevisível, muitas vezes indelicada, é sarcástica, ciumenta com seus amigos, orgulhosa, a dona da verdade e não merece, nem mesmo, um poema meu. Há quem diga que é muito bonita, que tem uma voz deliciosamente agradável, e um jeitinho que instiga e ao mesmo tempo acalma.
Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.
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