terça-feira, 9 de novembro de 2010
Infância Roubada
Hoje me deparei com uma cena muito engraçada, cheguei na casa de uma vizinha pra pegar algo com ela, a irmã mais velha que havia me atendido a porta foi buscar, enquanto me deparava com uma criança, já havia mostrado sinais de não ser tão criança, chega e me diz bom dia. Curiosa como sempre eu pergunto a idade, e sou surpreendida com um fato: não as vestimentas de pijama mais maduro, em seda, não o cabelo liso em channel nem nenhum prendedor, não o seu olhar sobre minhas roupas, mas a sua afirmação sobre sua idade que dizia "Oito anos, infelizmente".
E fiquei tentando entender, infelizmente porque? Com oito anos o que se pode fazer em ser trágico? Ela não é filha de pais separados, a mãe dela tem uma boa renda, ela tem irmãs mais velhas para cuidar dela, algumas brigas, sim pode até haver, mas PORQUE INFELIZMENTE.
Ai me encontro em uma geração que tem pressa demais, pressa de chegar, pressa de sair, pressa de encontrar, pressa de largar, pressa de comer, pressa de sentir, pressa de fazer, até mesmo pressa de crescer! Não entendo o motivo de uma criança de oito anos não gostar de ter oito anos, e achar isso ruim... Quando tinha a idade dela eu também queria ser grande, verdade, mas não achava ruim ser pequena, era ruim apenas ter que sair acompanhada, ter mais cuidados, e as vezes até mesmo ser buscada na escola.
Mas nos dias de hoje, vejo crianças de 12 anos na rua bebendo, fumando, se drogando como se tivesse 18! Não é assim, as pessoas não estão levando nem um pouco a sério o fato de ser importante ter uma infância saudável? O fato de brinquedos, bonecas, prendedores, laços, enfeites, doces são divertidos?
Não, eu não sou uma criança frustrada... eu sou uma jovem imprecionada! Quando criança tinha meus assessos de 'mocinha', mas isso nunca influênciou de tamanha maneira como influência dessas crianças.
tenho dó dessas... dó ;x
domingo, 7 de novembro de 2010
erros.
Eu não sei conviver com pessoas perfeitas. Não que eu goste do erro, mas acredito que, de certa forma, eles nos definem. É bom saber que é preciso errar pra poder, enfim, acertar. Errar pra pensar. Pessoas perfeitas não erram nunca. Não pensam nas suas atitudes, pois tudo o que fazem é certo. Pessoas perfeitas são pessoas vazias. Não se permitem sentir, não falam besteira, não arriscam, não se deixam levar. Pessoas perfeitas têm a necessidade de ter tudo sob controle, tudo em suas próprias mãos, nunca na dos outros. Arriscado demais. Pessoas perfeitas exigem perfeição. Um erro e está, automaticamente, riscado da lista. Eu gosto mesmo do imperfeito. Do erro, do fazer as pazes, do frio na barriga ao pedir desculpas a alguém. Eu gosto do excesso, da vontade de gritar quando tudo está errado, da coragem que se deve ter para enfrentar os dias, do medo bom de se perder. Eu gosto do novo, do poder que temos de mudar o jogo quando realmente queremos, do esforço reconhecido, dos dias que não voltam mais. Eu gosto da adrenalina que existe ao saber que outro alguém gosta de você simplesmente pelo fato de você errar, errar e errar e, ainda assim, ser perfeito aos olhos dele. Só assim percebemos que existem coisas maiores - e melhores - que a perfeição.
Ter ou não ter namorado, eis a questão
Atribuído a Carlos Drummond de Andrade,
mas é de Artur da Távola
mas é de Artur da Távola
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.
sábado, 6 de novembro de 2010
Hoje em dia se tu não falar de política, maconha ou putaria tu é emo. Acho que não tem graça, não tenho vontade de falar sobre uma possível plantação de maconha, sobre subir num morro pra pegar pó. Eu não quero falar do trenzinho que vai uma mina no meio e um cara na frente, eu não quero saber da mina rebolando até o chão e eu acho que não adianta nada ficar falando da direita quando a esquerda vai cagar tudo também. Acho que tem que falar de amor sem ter vergonha mesmo, porque eu acho que o que a gente fala acaba sendo mais positivo pras pessoas do que tu incentivar certas coisas que todo mundo deveria decidir sozinho. Eu acho que falar de amor não faz mal pra ninguém, a gente não tá sendo ruim com ninguém.
Lucas Silveira
Lucas Silveira
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Desapego, a doença do século
É engraçado isso em mim... Perdi a conta de tanta gente me querendo, me buscando, querendo me colocar em um potinho, para quem sabe um dia poder usufruir do meu estado alegre, e sensibilidade espontânea, as vezes até com a raiva de querer matar, e alguns socos que não fazem nem cossegas. Mas o mais
Pra concluir, num blog em que não tenho mais ideia do que escrever, digo de passagem: não pensem, queridos leitores, que desapego é descaso! Eu adorei a teoria do desapego, mas nem por isso trato pessoa superficialmente. Desapego é deixa de lado O QUE TE FAZ MAL, não banalizar e deixar tudo e todos de lado. Infelizmente, em um século em que tudo já é banalizado, ninguém entenderá esse meu apelo, meu grito, meu socorro.
Jess Mendonça
poesia
Você passou da conta;
e me tirou do sério.
Você fez tudo errado e acabou o mistério.
Hoje eu tirei a prova.
Hoje eu saí pra rua.
Hoje eu dividi a minha vida e a sua.
Não dá mais, não valeu
dessa vez, você me perdeu.
Você fez tudo errado e acabou o mistério.
Hoje eu tirei a prova.
Hoje eu saí pra rua.
Hoje eu dividi a minha vida e a sua.
Não dá mais, não valeu
dessa vez, você me perdeu.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Minha lataria expirou.
Sentimentos... Nessa hora me acho besta, destranbelhada e ainda assim bem. Vou explicar: durante algum tempo peguei o amor, enfiei numa sacola, rodei.. rodei.. rodei e atirei o mais longe possivel, por saber que esse sentimento não era pra mim. Em tese estava certa, vários relacionamentos e pseudo-relacionamentos em que quando não magoava era magoada, quando não fazia chorar, chorava. Então me aposentei... Até então.
Foi quando algo medonho aconteceu: Eu acordei bem contando as horas pra ver apenas um pedaço de carne com uma alma dentro, sabendo que faltariam apenas 12 horas para ve-lô liguei, dizendo que queria saber se estava bem, mentira! O que eu queria era apenas ouvir aquela voz boba e feliz que o pedaço de carne sempre carrega. Mas o mais engraçado, é que não tenho mais vontade de chamar pessoas de 'pedaço de carne com alma', tenho vontade de chamar de pessoas. Agora lembro de momentos únicos e rio sozinho, e quando vejo tô com aquele sorriso bobo no rosto lembrando de afagos e carinhos. Isso pra mim deve ser defeito na minha lataria, será que meu coração de lata voltou a bater? Quando eu já tinha enterrado? Ou será que apenas é falta de óleo e engasgou aqui?
Andando na rua, sigo cantarolando, tô mais calma, mas tranquila, mas leve, mais humana. Não faz setindo, agora até fecho os olhos pra orar! Tinha entregado Deus a Ele mesmo, e agora o quero de volta. Tinha pego minha vida afetiva e escondido, agora a recebo bem. Agora não discuto, deixo cada um com sua opnião, sigo feliz, mesmo faltando motivo, e o mais assustador em mim: não sinto mais aquela necessidade de ter alguém, fico feliz só em saber que alguém me tem.
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